sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A TV vende ilusão



A TV é uma fábrica de vaidosos. Não a vaidade que busca o bem-estar que gera aquele estado zen de equilíbrio. Mesmo porque a fama da TV, de equilíbrio, não tem nada.

A vaidade projetada pela televisão, está ligada a seu poder milagroso de multiplicar a imagem de uma pessoa a ponto de fazer com que ela esteja em todos os lugares ao mesmo tempo. Sim, fisicamente é impossível. Mas a mídia não vive do mundo físico, real e sim do imaginário coletivo. A TV vende ilusão.

Essa ilusão inclui maquiagem, cabelo, figurino, produção, direção, iluminação, edição, um verdadeiro exército de profissionais que trabalham com o objetivo de tornar tudo mais bonito, melhor, mais intenso, mais dramático, chamativo. Mas sempre, menos real.

Acontece que, de tanto ver essa imagem muito melhor que a do espelho, nossa única referência pessoal sobre nossa aparência, passamos a acreditar nela. E saímos em busca de reproduzir essa ilusão em nossas vidas. A grande maioria dos apresentadores de TV segue a mesma trilha depois que entra no ar. Começa a frequentar mais o salão de beleza, depois o dermatologista, troca o aro dos óculos no oculista, contrata um personal stylist ou figurinista. Em seguida, vem o personal trainer. Tem que ser personal, porque qualquer lugar fica complicado para a fama. Depois do personal, claro, vem a nutricionista. Dieta para perder peso. O próximo passo é o endocrinologista para emagrecer com remédio. O cirurgião plástico é o seguinte. E, possivelmente, o "ortomolecular".

A vida passa a orbitar em torno da imagem, da aparência física. O cuidado pessoal é sempre bom, mas o excesso não. Mesmo porque, muitas vezes, o sucesso é transitório, assim com os empregos. E aí vem o revertério. Quem sai do ar, quem muda de lugar, fica totalmente perdido. O que fazer com a vida que orbita em função de uma imagem que não se projeta mais, que volta a seu estado fundamental?

É aí que, felizmente, entra a terapia. A psiquiatria. Boa parte das pessoas que experimentam a notoriedade por um tempo e depois a perdem, acabam em depressão.

A solução? Não sei. Talvez o equilíbrio. O pé no chão. A família, os amigos e tudo o que possa lembrar que o ser humano é finito, normal. E que, enfim, tudo aqui é só trabalho e ilusão.

A resposta, vai saber, deve ser algo bem simples, como tudo na vida. Quem sabe apenas o velho e bom caminho do coração. Aquele que dizia que não somos nossa aparência, mas nossas atitudes.

Bom dia, realidade.
Bom dia, querido leitor.
Rosana Hermann.

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